Apresentação
As aulas ocorrerão dia 8 e 15 de setembro das 19h às 22h via Teams (link será enviado via email).
A metodologia das Escrevivências, inspirada no conceito
desenvolvido por Conceição Evaristo, constitui uma potente estratégia para
promover escuta qualificada, valorização das histórias de vida, fortalecimento
dos vínculos e produção de memória coletiva nos territórios.
Ao longo dos últimos anos, a Todas Juntas, empresa
formada por Tatiana Natalino Vilches e Juliana Aureana Leal, desenvolveu
experiências de implementação dessa metodologia em diferentes contextos do
Sistema Único de Saúde, utilizando as narrativas de vida como dispositivo de
cuidado, participação social e educação permanente. Mais do que uma técnica de
escrita, a metodologia propõe processos de encontro, escuta, acolhimento e
construção coletiva de sentidos, reconhecendo que cada história narrada
fortalece sujeitos, comunidades e equipes.
Esta formação foi construída para preparar profissionais do SUS de diferentes áreas e níveis de formação para atuarem como facilitadores da metodologia das Escrevivências em seus próprios territórios, respeitando as especificidades culturais, institucionais e comunitárias de cada contexto. Ao final da capacitação, espera-se que os participantes sejam capazes de planejar, conduzir e adaptar grupos de Escrevivências, utilizando princípios éticos, técnicas de condução grupal e ferramentas de escuta qualificada para fortalecer práticas de cuidado e participação social. Mais do que transmitir conteúdos, esta formação pretende constituir uma rede de facilitadores comprometidos com a valorização das narrativas, da memória e dos saberes produzidos no cotidiano dos serviços e das comunidades.
OBJETIVO
Essa formação em Escrevivências em Saúde Mental tem o
objetivo de qualificar profissionais da Saúde da região Norte do Brasil para
planejar, conduzir e implementar grupos de Escrevivências em diferentes
contextos de atuação, utilizando narrativas de vida como estratégia de cuidado,
educação permanente e fortalecimento dos territórios.
OBJETIVO EDUCACIONAL
Ao final da formação, espera-se que os trabalhadores
possam facilitar rodas de escrevivências em seus territórios de atuação, tanto
com seus colegas de trabalho, quanto com os cidadãos assistidos. Assim,
espera-se que os egressos possam:
1) compreender os fundamentos das Escrevivências;
2) reconhecer o potencial das narrativas de vida como
estratégia de cuidado;
3)desenvolver habilidades de escuta qualificada; conduzir
grupos utilizando princípios éticos e participativos; manejar situações
complexas durante os encontros;
4) adaptar a metodologia às diferentes realidades do SUS;
5)elaborar um plano de implementação para seu território.
JUSTIFICATIVA
A atividade de escrevivências em saúde mental com
trabalhadores da saúde pode ser justificada como um dispositivo de cuidado
coletivo que atua ao mesmo tempo sobre o sofrimento psíquico desses
profissionais e sobre a qualidade e sustentabilidade do SUS.
Saúde mental dos trabalhadores da saúde
Trabalhadores da saúde, especialmente na Atenção Primária e
em territórios marcados por vulnerabilidade social, lidam cotidianamente com
dor, violência, precariedade de recursos, morte evitável e demandas emocionais
intensas, muitas vezes sem espaços estruturados de elaboração. Esse contexto
favorece o adoecimento psíquico (exaustão, burnout, sintomas depressivos e
ansiosos), afastamentos, rotatividade e perda de sentido do trabalho.
A proposta de escrevivências em saúde mental se
inscreve na tradição de dispositivos coletivos de cuidado (como rodas de
partilha no estilo dos Alcoólicos Anônimos), mas acrescenta uma dimensão de
produção de narrativa escrita – crônicas, relatos e textos sobre a experiência
de adoecer, cuidar e sobreviver no trabalho em saúde. Esse gesto de escrever e
partilhar:
-favorece a elaboração simbólica do sofrimento,
transformando experiências silenciadas em palavras, imagens e sentidos
compartilhados;
-fortalece vínculos entre colegas, reduz o isolamento
e a sensação de “fracasso individual”, reposicionando o sofrimento como
fenômeno coletivo e institucional;
-reconhece trabalhadores como sujeitos de história,
não apenas como “recursos humanos”, promovendo autoestima, pertença e
autonomia.
Ao criar um espaço protegido de fala e escrita, a
atividade contribui diretamente para promoção de saúde mental, prevenção de
crises mais graves e ampliação da capacidade de cuidado de si e dos outros
entre profissionais.
Impacto para o SUS
A saúde mental dos trabalhadores é um determinante central
da qualidade, continuidade e humanização do cuidado no SUS. Profissionais
adoecidos, exaustos ou em sofrimento crônico tendem a:
-apresentar maior probabilidade de erros, comunicação
deficiente e conflitos;
-reduzir sua capacidade de acolher, escutar e construir
projetos terapêuticos com usuários;
-afastar-se do serviço, aumentando custos, descontinuidades
e sobrecarga sobre as equipes remanescentes.
Ao formar facilitadores em escrevivências em saúde
mental com trabalhadores da saúde, o SUS:
-qualifica o cuidado: profissionais que conseguem elaborar
seus afetos, limites e experiências tendem a exercer práticas mais éticas,
cuidadosas e cooperativas;
-fortalece redes e equipes: as crônicas e relatos
compartilhados ajudam a construir memória coletiva, identidade de equipe e
sentido político para o trabalho em saúde, o que é fundamental para a Atenção
Primária e para territórios vulnerabilizados;
-previne afastamentos e agravos: o dispositivo atua como
estratégia de promoção e prevenção, abrindo canais de cuidado antes que o
sofrimento se transforme em adoecimento mais grave ou ruptura do vínculo com o
trabalho;
-produz conhecimento sobre o trabalho vivo em ato: as
escrevivências geram material que pode alimentar processos de educação
permanente, supervisão institucional e reflexão sobre organização do trabalho e
condições de cuidado.
Em uma perspectiva ampliada de saúde mental e de saúde
do trabalhador, a atividade se alinha aos princípios de integralidade e
humanização do SUS, reconhecendo que cuidar de quem cuida é condição para a
efetivação do direito à saúde. Ao articular roda de fala e produção de
crônicas, o dispositivo opera na fronteira entre clínica, educação e política,
afirmando o trabalho em saúde como lugar de produção de vida, e não apenas de
adoecimento.
Além do exposto, ressalta-se que a metodologia pode
ser adaptada a outros contextos:
- Atenção Primária
-CAPS
-Hospitais
-ILPI
-CRAS
-Centro POP
- Escolas
-Projetos comunitários
-Plano de implementação
NOTAS METODOLÓGICAS
Para que a formação pudesse atingir trabalhadores da saúde
das diferentes regiões do país, optou-se por dividi-la em várias ofertas, por
região. Nessa primeira, teremos a região Norte contemplada. Para tal, será
utilizada a Plataforma Teams para os 2 encontros síncronos. Em detalhes, as
atividades são apresentadas abaixo.
Primeiro Encontro - Das histórias ao método
Módulo 1 - Boas-vindas; Apresentação
da Todas Juntas; Objetivos da formação; Pactuação do grupo
Módulo 2 - O que são Escrevivências?
- Conceição
Evaristo; Memória; Território; Narrativas; Direito à
memória; Produção de sentidos
Módulo 3 - O papel do facilitador
- Escuta qualificada - Perguntas abertas - Construção de vínculo
- Manejo do silêncio - Acolhimento - Presença - Condução
grupal
Módulo 4 - Ética e responsabilidade
- Sigilo - Consentimento - Direito de não narrar - Autoria
- Uso das narrativas - Publicação - Limites do facilitador
- Fluxos de encaminhamento